4 de fevereiro de 2026 

INTRODUÇÃO 

Ensaios clínicos são estudos experimentais (de intervenção), longitudinais e prospectivos que avaliam os efeitos de uma ou mais intervenções em termos de desfechos em saúde. Grupos de participantes recebem diferentes intervenções (ou placebo ou nenhuma intervenção) e os desfechos observados antes, ao longo e/ou após o curso da intervenção são mensurados e comparados entre os grupos.  

CLASSIFICAÇÃO 

Os ensaios clínicos podem ser classificados de acordo com diferentes critérios. Veja no Quadro 1 algumas das classificações mais frequentemente observadas na literatura [1,2]. 

Quadro 1. Classificação dos ensaios clínicos [2] 

Critério Classificação 
Número de centros Multicêntrico: dois ou mais centros contribuem para a inclusão de participantes para um mesmo protocolo de estudo. Os centros podem ser universidades, unidades de saúde ou centros de pesquisa em um único país ou em diferentes países. As potenciais vantagens são a possibilidade de maior velocidade de recrutamento e o maior número de participantes. Além disso, por ocorrer em diferentes regiões geográficas, os resultados obtidos podem ser válidos para a população em geral. Como desvantagens, estão o seu custo elevado e a sua alta complexidade [3]. 

Centro único: geralmente ensaios clínicos menores ou em fases iniciais (I ou II).  
Unidade de randomização [4] Individual:  participante. 
 
Cluster convencional: grupos de participantes são randomizados como uma única unidade. Esse tipo de randomização é comumente utilizado para avaliar a prestação de serviços ou intervenções políticas implementadas em nível de cluster.  

Cluster stepped-wedge: grupos de participantes são randomizados como uma única unidade, mas recebem as intervenções em diferentes momentos ao longo do tempo [5]. 
Tamanho da amostra [6]  Megatrial: inclui um grande número de participantes (geralmente, milhares de pacientes)   

Ensaios clínicos n = 1 (“n-de-1″ ou “n-of-1“): um único participante recebe as intervenções comparadas em diferentes momentos, como um crossover de um único participante. Frequentemente, os ensaios n-de-1 são conduzidos como uma série na qual vários pacientes são submetidos ao mesmo protocolo de ensaio n=1. É utilizado para condições de saúde de curso imprevisível, quando há resposta imediata, quando não há risco de efeito carry-over (residual), e é útil para levantar hipóteses relevantes [7]. 
Concomitância das intervenções comparadas  Paralelo: os grupos comparados recebem as intervenções concomitantemente, ao longo do tempo.  

Crossover: os grupos recebem as intervenções de modo concomitante ao longo do tempo, mas, em determinado momento do estudo, as intervenções recebidas são trocadas entre os grupos, de modo que, ao final, todos os participantes recebem todas as intervenções, mas em diferentes períodos.  

Antes e depois: todos os participantes recebem uma única intervenção e os desfechos são mensurados antes e após a intervenção. O objetivo é determinar se houve impacto positivo, negativo ou neutro da intervenção em relação ao estado inicial dos participantes. A potencial vantagem seria que cada participante funciona como seu próprio controle, garantindo homogeneidade na comparação. A desvantagem estaria dificuldade de comparar os resultados obtidos em momentos diferentes do estudo, pois as diferenças observadas podem não se dever somente à intervenção, mas também a outros fatores que ocorreram nesse ínterim.   
Método de geração da sequência de alocação (randomização) Randomizado: estudo adota um método aleatório para distribuir os participantes nos grupos, impedindo a identificação da alocação do próximo participante e garantindo que todos os participantes tenham a mesma probabilidade de serem alocados em qualquer um dos grupos que estão sendo comparados.   

Quasi-randomizado: o método utilizado para distribuição permite identificar a alocação do participante seguinte e/ou permite com que os participantes tenham diferentes probabilidade de serem alocados em um dos grupos de comparação. Como exemplos de quasi-randomização, há os métodos de alocação de alternância, ou aqueles de acordo com o número final do prontuário (par ou ímpar) [8].  

Não-randomizado: nenhum método de aleatorização é utilizado para distribuir os participantes. A alocação é feita pela própria equipe do centro, com base unicamente na preferência ou na conveniência [8]. 
Método de mascaramento  Duplo-cego:  participantes/equipe avaliadores dos desfechos são mascarados com relação à intervenção recebida por cada participante, minimizando o risco de viés de performance e de aferição.  

Simples-cego: participantes/equipe ou avaliadores dos desfechos são mascarados com relação à intervenção recebida por cada participante.  

Aberto: participantes/equipe e avaliadores dos desfechos não são mascarados com relação à intervenção recebida por cada participante.  
Presença de grupo controle Controlado: há um grupo controle, que pode receber placebo, intervenção ativa, nenhuma intervenção ou ficar na lista de espera. 

Não-controlado: todos os participantes recebem a intervenção avaliada, e os desfechos são mensurados apenas neste grupo. 
Semelhança com a realidade [6,9] Pragmático (efetividade): adota métodos durante o planejamento, condução e análise que procuram reproduzir como a intervenção afeta o paciente no mundo real (por exemplo, utiliza análise por intenção de tratar) [10]  

Explanatório (eficácia): adota métodos durante o planejamento, condução e análise que o aproximam de um cenário ideal.  

Adaptativo: adota modelo dinâmico, no qual os desfechos são mensurados uma ou múltiplas vezes ao longo de sua condução, permitindo identificar a necessidade de implementar modificações pré- especificadas nos métodos de execução do estudo. 
Hipótese do estudo Superioridade: avalia se há superioridade (em termos de eficácia ou segurança) de uma intervenção sobre outra ou sobre o placebo.   

Não-inferioridade: avalia se uma intervenção não é inferior a outra em termos de eficácia, podendo ser semelhante ou superior.  

Equivalência: avalia se uma intervenção equivale a outra, não sendo superior ou inferior.  
Número de comparações Um par de comparação: ensaio clínico convencional que compara duas ou mais intervenções de modo isolado, por exemplo, sinvastatina versus placebo.  

Fatorial: ensaio clínico que avalia os efeitos isolado e associado de intervenções simultaneamente. Exemplo: sildenafil + psicoterapia (grupo 1) versus placebo + psicoterapia (grupo 2) versus sham de psicoterapia + sildenafil (grupo 3) versus sham de psicoterapia + placebo (grupo 4) para tratamento de disfunção erétil [11]. 

CONCLUSÃO 

Diferentes tipos de ensaios clínicos, com diferentes vantagens e limitações podem ser indicados para situações específicas. É importante conhecer estes tipos e suas classificações para avaliar seus potenciais impactos na qualidade dos estudos e nos riscos de vieses. 

AUTORES 

Versão 1- 21/02/2024 

Ana Carolina Zacharias de Oliveira, Camila Padula Domingues, Gabriel Alves Freiria de Oliveira, Guilherme Jooji Morisita, Lucas Ferreira Fagundes Ouverney, Luiza de Mendonça Rocha. Alunos de graduação, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).  

Rachel Riera, MD, MSc, PhD. Professora associada, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Versão 2- 04/04/2026 

Daniele Ho, farmacêutica, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Rachel Riera, MD, MSc, PhD. Professora associada, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

CITAR COMO: Oliveira ACZ, Domingues CP, Oliveira GAF, Morisita GJ, Ouverney LFF, Rocha LM, Ho D, Riera R. Classificação e tipos de ensaios clínicos. Estudantes para melhores evidências. Publicado em 04 de fevereiro de 2026. Disponível em: [adicionar link da página da web]. Acessado em [adicionar dia, mês e ano de acesso].   

REFERÊNCIAS 

1. Hochman B, Nahas FX, Oliveira Filho RS, Ferreira LM. Desenhos de pesquisa. Acta Cirurgica Brasileira. 2005;20(suppl 2):2–9. doi:10.1590/S0102-86502005000800002. 

2. Martimbianco ALC, Riera R. Saúde baseada em evidências: conceitos, métodos e aplicação prática. 1ª edição. Atheneu, 2022. São Paulo. 

3. Sukekava, Flávia; Marcelino, Silvia Linard; Ragghianti, Mariana Schutzer; Lima, Luiz Antonio Pugliesi Alves de. Ensaios clínicos multicêntricos: uma revisão de literatura / Multi-center clinical trials: a literature review. Periodontia ; 18(1): 26-30, 2008. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-544188. Acessado em 15 de janeiro de 2026. 

4. Guyatt G, Sackett D, Taylor DW, Chong J, Roberts R, Pugsley S. Determining optimal therapy–randomized trials in individual patients. N Engl J Med. 1986;314(14):889-92. doi: 10.1056/NEJM198604033141406. PMID: 2936958. 

5. Hemming K, Haines TP, Chilton PJ, Girling AJ, Lilford RJ. The stepped wedge cluster randomised trial: rationale, design, analysis, and reporting. BMJ 2015;350 doi: https://doi.org/10.1136/bmj.h391. Acesso em: 15/01/2026. 

6. Fletcher RH, Fletcher SW, Fletcher GS. Epidemiologia clínica. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 296p. 

7. Hawksworth O, Chatters R, Julious S, Cook A, Biggs K, Solaiman K, Quah MCH, Cheong SC. A methodological review of randomised n‑of‑1 trials. BMC. 2024;25:263. https://doi.org/10.1186/s13063-024-08100-1. 

8. Oliveira, Luciana Butini; Massignan, Carla; Stefani, Cristine Miron; CANTO, Graziela de Luca. Tipos de vieses em estudos de intervenção não randomizados (EINR). In: CANTO, Graziela de Luca; STEFANI, Cristine Miron; MASSIGNAN, Carla (org.). Risco de viés em revisões sistemáticas: guia prático. Florianópolis: Centro Brasileiro de Pesquisas Baseadas em Evidências – COBE UFSC, 2021. Cap. 3. Disponível em: https://guiariscodeviescobe.paginas.ufsc.br/capitulo-3-tipos-de-vieses-em-estudos-de-intervencao-nao-randomizados-einr/. Acessado em 15 de janeiro de 2026. 

9. Sackett DL, Gent M. Controversy in counting and attributing events in clinical trials. N Engl J Med. 1979 Dec 27;301(26):1410-2. doi: 10.1056/NEJM197912273012602. PMID: 514321. 

10. Le-Rademacher J, Gunn H, Yao X, Schaid DJ. Clinical Trials Overview: From Explanatory to 

Pragmatic Clinical Trials. Mayo Clin Proc. August 2023;98(8):1241-1253. https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2023.04.013. Acessado em 15 de janeiro de 2026. 

11. Ciolino JD, Scholtens DM, Bonner LB. Factorial Clinical Trial Designs. JAMA Guide to Statistics and Methods. 2025;333;(6):532-533. doi:10.1001/jama.2024.25374.