03 de fevereiro de 2026
CONTEXTO
Existem algumas ferramentas na literatura para avaliar a qualidade metodológica de coortes e estudos de caso-controle, entre elas:
- Ferramentas do Centro de Medicina Baseada em Evidências de Oxford [1]
- New Castle-Ottawa Scale [2];
- Downs and Black [3];
- Risk of Bias in Non-randomized Studies of Interventions (ROBINS-I) [4];
- Risk of Bias in Non-randomized Studies of Exposure (ROBINS-E) [5].
Durante as atividades da Liga de Medicina Baseada em Evidências e da Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, da Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) [6], desenvolvemos algumas ferramentas práticas para diferentes desenhos de estudo, que têm sido usadas por alunos de graduação, pós-graduação, residentes e professores em atividades de Journal Club.
O Quadro 1 apresenta a ferramenta Journal Club Tool – Coorte/Caso-controle e orientações para sua aplicação.
Quadro 1. Journal club tool – coorte/caso-controle e orientações para sua aplicação.
| Journal club tool – coorte/caso-controle | ||
| Geral | ||
| Pergunta | Orientações | |
| 1 | Conflito de interesses | – Declaração de potenciais conflitos de interesse financeiro e não-financeiro dos autores. – Considerar se há conflitos potenciais. |
| 2 | Fonte de financiamento | Declaração de fonte específica de financiamento |
| Pergunta de interesse | ||
| Pergunta | Orientações | |
| 3 | Qual o PICO/PECO? | Identificar os elementos do acrônimo. |
| 4 | A pergunta de interesse do estudo é relevante para a prática? | – A pergunta ainda não foi respondida de modo satisfatório pela literatura atual. – A pergunta envolve uma situação clínica relevante. |
| Métodos | ||
| Pergunta | Orientações | |
| 5 | Qual o desenho do estudo? | Considerar se coorte prospectivo ou retrospectivo, ou caso-controle. |
| 6 | A determinação do desfecho clínico (no caso de estudos coorte) ou a distinção entre casos e controle (estudos caso-controle) foi livre de vieses? | Considerar mascaramento do avaliador do desfecho quanto ao status da exposição dos participantes (determinação dos casos). |
| 7 | Os grupos que foram comparados eram semelhantes, exceto pela exposição? | – A descrição de critérios de inclusão e exclusão deve ser clara. – Considerar se as características dos grupos comparados eram semelhantes. – Considerar se houve pareamento na seleção da amostra. – Considerar se foram feitos ajustes para fatores confundidores (idade, tempo de exposição, outros fatores de risco…). |
| Resultados | ||
| Pergunta | Orientações | |
| 8 | As perdas foram descritas e são aceitáveis? | – Considerar a frequência de perdas, o balanço entre os grupos de intervenção quanto à frequência de perdas e suas razões. – Considerar o potencial impacto das perdas ao resultado observado. – Considerar se houve planejamento para lidar com perdas (análises, imputação de dados, etc). |
| 9 | A estimativa de tamanho de efeito foi apresentada? | – Considerar a adequação da medida de tamanho de efeito relatada. – Considerar a apresentação de uma medida de confiança para esta estimativa (intervalo de confiança de 95%). – Se não houve diferença estatística, o tamanho da amostra foi suficiente para encontrar uma diferença minimamente relevante? |
| 10 | Relevância clínica | – Se houve diferença estatística, esta diferença foi clinicamente importante? – Verificar se a significância clínica foi considerada na interpretação dos resultados. |
| Discussão e conclusão | ||
| Pergunta | Orientações | |
| 11 | A possibilidade de associação causal foi considerada de forma adequada na interpretação dos resultados? | Aplicar os critérios de causalidade de Bradford Hill |
| 12 | Quais são os pontos fortes e fracos do estudo? | – Considerar se os principais pontos fortes e fracos (limitações) do estudo foram apontados pelos autores. – Adoção e relato de estratégias para minimizar as limitações. |
| 13 | Quais as implicações para a prática? | – A exposição pode ser evitada caso ela seja considerada um fator de risco? – A exposição pode ser oferecida caso ela seja considerada um fator de proteção? |
| 14 | Quais as implicações para pesquisas futuras? | A partir dos achados do estudo, questões adicionais foram identificadas pelos autores e/ou por você? |
| 15 | Conclusões | – Considerar se as conclusões estão alinhadas aos objetivos. – Considerar se as conclusões estão alinhadas aos resultados e consideram as limitações do estudo. |
AUTORES
Versão 1- 28/05/2022
Rafael Leite Pacheco, aluno de pós-graduação em Saúde Baseada em Evidências, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Rachel Riera, Professora adjunta, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Carolina de Oliveira Cruz Latorraca, professora de Medicina Baseada em Evidências, Centro Universitário São Camilo (CUSC).
Versão 2- 03/02/2026
Daniele Ho, farmacêutica, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Rachel Riera, MD, MSc, PhD. Professora associada, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Citar como: Pacheco RL, Latorraca COC, Ho D, Riera R. Journal Club Tool – coorte/caso-controle. Estudantes para Melhores Evidências. Disponível em: [adicionar link da página da web]. Postado em: 03 de fevereiro de 2026. Acessado em: [adicionar dia, mês e ano de acesso].
Referências
- Centre for Evidence Based-Medicine [website homepage]. Critical appraisal tools. Disponível em: https://www.cebm.ox.ac.uk/resources/ebm-tools/critical-appraisal-tools. Acessado em 3 de fevereiro de 2026.
- Wells GA, Shea B, O’Connell D. The Newcastle-Ottawa Scale (NOS) for assessing the quality of nonrandomised studies in meta-analyses. Disponível em: http://www.ohri.ca/programs/clinical_epidemiology/oxford.asp. 2008. Acessado em 3 de fevereiro de 2026.
- Downs SH, Black N. The feasibility of creating a checklist for the assessment of the methodological quality both of randomised and non-randomised studies of health care interventions. Journal of epidemiology and community health. 1998;52(6):377–384. doi: 10.1136/jech.52.6.377.
- Sterne JA, Hernan MA, Reeves BC, et al. ROBINS-I: a tool for assessing risk of bias in non-randomised studies of interventions. Bmj. 2016;355:i4919. doi: 10.1136/bmj.i4919.
- ROBINS-E tool (Risk Of Bias In Non-randomized Studies – of Exposures). 2024. Disponível em: https://www.riskofbias.info/welcome/robins-e-tool. Acessado em 3 de fevereiro de 2026.
- Rocha GFA, Pacheco RL, Latorraca COC, Riera R. First academic league of EBM in Brazil: experience report. BMJ Evid Based Med. 2021;26(5):263-265. doi: 10.1136/bmjebm-2020-111547. Epub 2020 Sep 17. PMID: 32943415.