7 de abril de 2026 

DEFINIÇÃO 

Grey literature ou literatura cinzenta é qualquer tipo de publicação realizada por meios não oficiais, ou seja, não percorrem o processo convencional e comercial, e não são fáceis de serem localizadas pelos canais tradicionais de publicação e de distribuição [1,2]. A expressão “literatura cinzenta” foi estabelecida em 1978, no Seminário de York, porém já circulava anteriormente com nomes diferentes, como little literature. A definição mais aceita, no momento, delineada na III Conferência sobre Literatura Cinzenta (Luxemburgo, 1997) a descreve “como aquela produzida em todos os níveis governamentais, acadêmicos, dos negócios e da indústria, em formato impresso e eletrônico, não controlada por editores comerciais” [1,2]. 

Outros sinônimos para literatura cinzenta são “literatura não comercial”, “literatura não convencional”, “literatura informal”, “literatura efêmera”, “literatura oculta”, “literatura semipublicada”, “semipublicações” etc [1]. 

VANTAGENS E DESVANTAGENS DA LITERATURA CINZENTA:  

O termo “literatura cinzenta” deriva a partir da incerteza do status dessa informação, porém isto não significa que a informação seja ruim ou boa. Conforme listado pela University of Exeter Library (2022) [2], existem diversas vantagens e desvantagens da literatura cinzenta, cabendo ao leitor determinar o valor da publicação. 

Tabela 1 – Vantagens e Desvantagens da Literatura Cinzenta. Traduzido e extraído de: University of Exeter Library (2022) [2] 

Vantagens 
Importante fonte de informação, que deve ser consultada a fim de obter uma busca abrangente de evidências. 
Podem registrar descobertas em áreas emergentes e resultados negativos, os quais podem não ser abordados por editores comerciais [2].  
Pode ser fonte de informação mais atualizada do que literatura publicada formalmente, visto que esta pode levar mais tempo para passar por processos de revisão e publicação editorial [2]. 
Desvantagens 
A literatura cinzenta pode variar muito em qualidade. Publicações acadêmicas podem passar através de um processo formal de publicação, estando sujeitas a revisão de edição aprofundada.  No entanto, nem todo material de literatura cinzenta é submetido a esse processo rigoroso, o que exige do leitor uma avaliação cautelosa de qualidade e dos potenciais vieses do estudo.  
Tendo em vista que, muitas vezes, não é formalmente publicada, pode não estar disponível nas plataformas quando necessário, então é preciso manter registro do material salvo. 

EXEMPLOS DA LITERATURA CINZENTA 

Existem diversos documentos que pertencem a essa categoria de literatura, entre eles os relatórios, que incluem desde preprints até relatórios avançados, anais de congresso, e teses e dissertações. Estes últimos também são considerados como literatura cinzenta pelo fato de não apresentarem sistema de publicação e distribuição comercial [1].  

São alguns exemplos de literatura cinzenta [1]: 

  • Monografias de graduação e de especialização; 
  • Dissertações de mestrado e teses de doutorado; 
  • Anais de congressos, livros de resumos e comunicações em eventos científicos; 
  • Relatórios de pesquisa; 
  • Preprints; 
  • E-mails; 
  • Páginas da Web, Blogs; 
  • Censos; 
  • Manuais de treinamento, produtos educacionais; 
  • Apresentações de slides; 
  • Normas e especificações técnicas; 
  • Publicações governamentais ou oficiais. 

REPOSITÓRIOS DA LITERATURA CINZENTA 

Existem diversas fontes de literatura cinzenta que podem ser usadas para pesquisa. Os repositórios são coleções que selecionam publicações de literatura cinzenta mais apuradas. Alguns exemplos são: 

  • DANS– é um dos maiores repositórios da Europa e é amplamente consultado para levantamento de literatura cinzenta; 
  • BASE– útil para fontes acadêmicas, mas não é exclusivamente composto de literatura cinzenta; 
  • CORE– Maior coleção do mundo de artigos de pesquisa de acesso aberto, mas não é exclusivamente composto de literatura cinzenta; 
  • GreySource– apresenta exemplos de literatura cinzenta para consulta; 
  • OpenGrey: é um repositório considerado referência em literatura cinzenta que, contudo, infelizmente, em 2025, seu uso caiu, uma vez que deixou de receber atualizações; 
  • Repositórios de universidade e outros repositórios que indexam projetos diversos (como CAPES): São valiosas fontes de literatura cinzenta, embora repositórios como DANS e OpenGrey já indexem o conteúdo publicado de diversas universidades; 
  • Repositórios de preprint: Preprints são documentos técnico-científicos que não passaram pelo processo de revisão editorial tradicional. 

COMO CITAR LITERATURA CINZENTA 

A literatura cinzenta, quando utilizada como referência, precisa ser citada, do mesmo modo que outras publicações. Assim, a forma irá variar conforme o tipo de literatura e o padrão de referência. 

AUTORES 

Versão 1- 12/02/2021 

Cristiana Rangel dos Santos, aluna da Faculdade de Medicina de Petrópolis- UNIFASE 

Luís Eduardo Fontes, professor titular da Disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina de Petrópolis. Rachel Riera, Professora adjunta, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Versão 2- 06/04/2026 

Daniele Ho, farmacêutica, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Leonardo Y Kasputis Zanini, MD, Preceptor Cirurgia Geral, Departamento de Cirurgia, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Residente em Administração em Saúde, Departamento de Gestão e Economia de Saúde (DEGS), Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Rachel Riera, MD, MSc, PhD. Professora associada, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

CITAR COMO: Santos CR, Fontes LE, Ho D, Kasputis Zanini L, Riera R. Literatura cinzenta. Estudantes para melhores evidências. Publicado em 6 de abril de 2026. Disponível em [adicionar link de acesso]. Acessado em [dia, mês e ano]. 

REFERÊNCIAS 

  1. Botelho RG, de Oliveira CC. Literaturas branca e cinzenta: uma revisão conceitual. Ciência da Informação, [S. l.], v. 44, n. 3, 2017. DOI: 10.18225/ci.inf.v44i3.1804. Disponível em: http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/1804. Acessado em 06 de abril de 2026. 
  1. University of Exeter Library. Grey literature: what is grey literature? LibGuides, 2022. Disponível em: https://libguides.exeter.ac.uk/c.php?g=670055&p=4756572. Acessado em 06 de abril de 2026.