18 de maio de 2026  

CONTEXTO 

As revisões sistemáticas têm como objetivo reunir, avaliar criticamente e sintetizar os estudos disponíveis sobre uma determinada pergunta de pesquisa. Quando bem elaboradas, são a melhor evidência para orientar a tomada de decisões e a formulação de políticas em saúde. Sabemos que as revisões sistemáticas são estudos complexos e que possuem diversas etapas metodológicas e, por esta razão, o tempo necessário para sua realização pode ser extenso.  

No cenário emergencial de algumas situações em saúde, como, por exemplo, a pandemia de Covid-19, as evidências científicas são requisitadas quase que em tempo real para que possam auxiliar os tomadores de decisão no manejo da doença e na disponibilização de recursos em tempo hábil. As revisões sistemáticas rápidas utilizam atalhos no processo metodológico de uma revisão sistemática tradicional, com o objetivo de obter informações baseadas em evidências confiáveis de forma mais rápida para atender a estas demandas [1,2].  

DEFINIÇÃO 

As revisões sistemáticas rápidas estão sendo cada vez mais utilizadas no suporte às decisões sobre políticas de saúde pública e privada, urgentes e emergentes. Segundo o Cochrane Rapid Reviews Methods Group [1], estas revisões possuem método rigoroso e transparente e, são, portanto, sistemáticas, porém fazem concessões à amplitude ou profundidade do processo, restringindo etapas específicas de uma revisão sistemática para encurtar o prazo de conclusão [3]. 

Embora o conceito de revisão rápida não seja novo, ainda não há um consenso sobre sua definição e características metodológicas, sendo descrita como uma síntese de conhecimento que acelera o processo de condução de uma revisão sistemática tradicional por meio da simplificação ou omissão de etapas metodológicas para produzir evidências para as partes interessadas, de maneira eficiente e em curto espaço de tempo. Contudo, o processo de uma revisão rápida deve respeitar os princípios de uma síntese de evidências, incluindo o planejamento prévio dos métodos, o relato transparente dos objetivos da revisão e dos critérios de elegibilidade, a avaliação da validade dos resultados (por exemplo, com a avaliação do risco de viés dos estudos incluídos) e sua síntese sistemática [2]. 

Espera-se que uma revisão rápida seja concluída entre um e seis meses, dependendo de fatores como: recursos disponíveis, complexidade do tema, volume de evidências disponíveis, expertise da equipe envolvida e o processo organizacional [4]. Uma busca preliminar na literatura pode auxiliar na definição do escopo e na análise da viabilidade de condução da revisão rápida. 

Algumas das abordagens utilizadas no processo de uma revisão rápida são: restringir o escopo da pergunta de pesquisa, limitar a busca por data ou idioma, limitar o número de bases de dados pesquisada, evitar a busca na literatura cinzenta e evitar o contato com especialistas ou autores dos estudos primários [4]. Os revisores escolhem quais etapas limitar, porém é importante que cada concessão seja relatada de forma detalhada para garantir a transparência do processo, evidenciar os possíveis vieses envolvidos e como lidar com o impacto dessas limitações nos resultados do estudo [3]. Assim, é preciso encontrar um equilíbrio entre “abreviar” ou “acelerar” os métodos e manter o rigor metodológico e a transparência das revisões tradicionais [2]. É essencial que a equipe de revisores tenha vasta experiência na metodologia de revisões sistemáticas. 

Quadro 1 caracteriza as principais diferenças entre revisões sistemáticas rápidas e revisões sistemáticas tradicionais. 

Quadro 1. Revisão sistemática rápida versus revisão sistemática tradicional 

 Revisão Rápida Revisão Sistemática 
Utilização Questões de alta prioridade que precisam ser respondidas de forma rápida. Geralmente voltadas para a decisão em políticas de saúde Questões específicas relacionadas à atenção em saúde de maneira geral (prática clínica e políticas de saúde) 
Métodos Limitada e variável Completa e definida 
Busca na literatura Pode ser restrita, com menos bases de dados e limitação dos estudos por data, idioma ou status de publicação Ampla e sensível, busca em bases de dados genéricas e específicas sem restrições. 
Seleção dos estudos e extração dos dados É possível ser feita com um revisor, mas é recomendado que haja mais dois revisores (o terceiro para resolver divergências) Dois revisores independentes. Terceiro revisor para resolver as divergências 
Avaliação do risco de viés É possível ser feita com um revisor, mas é recomendado que haja mais dois revisores (o terceiro para resolver divergências) Dois revisores independentes. Terceiro revisor para resolver as divergências 
Síntese das evidências Narrativa / metanálise é menos frequente Narrativa e quantitativa (metanálise) 
Duração > 6 meses 6 meses a 2 anos 

CONCLUSÃO 

As revisões rápidas são relevantes para a tomada de decisão em saúde, embora normalmente não sejam capazes de lidar com questões mais complexas. Por esta razão devem ser realizadas em resposta a perguntas específicas sobre temas novos, emergentes ou críticos, e não como forma de substituição a uma revisão sistemática tradicional. Poucos estudos empíricos compararam os achados de revisões rápidas e revisões sistemáticas sobre o mesmo tema, e seus resultados são conflitantes, inconclusivos e ainda deixam dúvidas sobre o impacto dos vieses produzidos na revisão rápida na validade dos resultados [5]. Mais pesquisas são necessárias para que se possa definir de forma mais clara os métodos e características das revisões rápidas e o manejo de suas limitações para que possam auxiliar na tomada de decisão informada por evidências na prática clínica e políticas em saúde. 

AUTORES 

Versão 1- 27/05/2022 

Maria Eduarda Onuki, Kamilla Mayr Sá, alunas de graduação da Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES). 

Ana Luiza Cabrera Martimbianco, MSc, PhD. Professora da Disciplina de Saúde Coletiva na Graduação de Medicina e da Disciplina de Saúde Baseada em Evidências do Programa de Pós-graduação em Saúde e Meio Ambiente da Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES). 

Versão 2- 18/05/2026 

Daniele Ho, farmacêutica, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Rachel Riera, MD, MSc, PhD. Professora associada, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

CITAR COMO: Onuki ME, Sá KM, Martimbianco ALC, Ho D, Riera R. Revisões sistemáticas rápidas. Estudantes para Melhores Evidências. Publicado em 18 de maio de 2026. Disponível em: [adicionar link da página da web]. Acessado em: [adicionar dia, mês e ano de acesso].   

REFERÊNCIAS 

  1. Garritty C, Gartlehner G, Nussbaumer-Streit B, King VJ, Hamel C, Kamel C, Affengruber L, Stevens A. Cochrane Rapid Reviews Methods Group offers evidence-informed guidance to conduct rapid reviews. J Clin Epidemiol. 2021 Feb;130:13-22. doi: 10.1016/j.jclinepi.2020.10.007.  
  1.  Tricco AC, Langlois EV, Straus SE, editors. Rapid reviews to strengthen health policy and systems: a practical guide. Geneva: World Health Organization; 2017. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO. Diponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/258698/9789241512763-eng.pdf. 
  1. Tricco AC, Antony J, Zarin W, Strifler L, Ghassemi M, Ivory J, Perrier L, Hutton B, Moher D, Straus SE. A scoping review of rapid review methods. BMC Med. 2015 Sep 16;13:224. doi: 10.1186/s12916-015-0465-6.  
  1. Grant MJ, Booth A. A typology of reviews: an analysis of 14 review types and associated methodologies. Health Info Libr J. 2009 Jun;26(2):91-108. doi: 10.1111/j.1471-1842.2009.00848.x. 
  1. Haby MM, Chapman E, Clark R, Barreto J, Reveiz L, Lavis JN. What are the best methodologies for rapid reviews of the research evidence for evidence-informed decision making in health policy and practice: a rapid review. Health Res Policy Syst. 2016 Nov 25;14(1):83. doi: 10.1186/s12961-016-0155-7.