27 de abril de 2026.
INTRODUÇÃO
A ferramenta STROBE (STrengthening the Reporting of OBservational studies in Epidemiology, https://www.strobe-statement.org/), desenvolvida em 2004, é um checklist que se propõe a guiar o relato adequado de estudos observacionais longitudinais (caso-controle e coorte) ou transversais [1].
O checklist contém 22 itens, com recomendações específicas para estudos observacionais, sobre as seguintes seções do manuscrito: título, resumo, introdução, métodos, resultado e discussão (Quadro 1) [1].
Quadro 1. Checklist STROBE [1]
| Item | Recomendação | |
| Título e resumo | 1 | Indique o desenho do estudo. Apresente, de modo sucinto, informativo e equilibrado o que foi desenvolvido e os principais achados. |
| Introdução Contexto/justificativa | 2 | Explique a base científica e a justificativa para o estudo que está sendo relatado. |
| Objetivos | 3 | Apresente os objetivos específicos, incluindo as hipóteses pré-definidas. |
| Método Desenho do estudo | 4 | Apresente os principais elementos do desenho do estudo. |
| Cenário | 5 | Descreva o contexto, locais e datas relevantes, incluindo períodos de recrutamento, exposição, acompanhamento e de coleta de dados. |
| Participantes | 6 | Estudo de coorte: apresente os critérios de elegibilidade, as fontes e métodos de seleção dos participantes; descreva os métodos de seguimento. Estudo caso-controle: apresente os critérios de elegibilidade, fontes e métodos de confirmação dos casos e seleção dos controles; apresente a justificativa para a escolha de casos e controles. Estudo transversal: apresente os critérios de elegibilidade, as fontes e métodos de seleção de participantes. |
| Variáveis | 7 | Defina todos os resultados, exposições, preditores, potenciais fatores de confusão e modificadores de efeito; apresente os critérios diagnósticos, se aplicável. |
| Fontes de dados/aferição | 8* | Para cada variável de interesse, apresente as fontes de dados e os detalhes dos métodos de avaliação. |
| Viés | 9 | Descreva todos os esforços para abordar possíveis fontes de viés. |
| Tamanho do estudo | 10 | Explique como se chegou ao tamanho da amostra do estudo |
| Variáveis quantitativas | 11 | Explique como as variáveis quantitativas foram tratadas nas análises; se aplicável, descreva quais agrupamentos foram escolhidos e as razões para a escolha. |
| Métodos estatísticos | 12 | Descreva todos os métodos estatísticos, incluindo aqueles usados para controlar fatores confundidores; descreva os métodos usados para examinar subgrupos e a interações entre variáveis; explique como os dados faltantes foram tratados; descreva quaisquer análises de sensibilidade. Estudo de coorte: se aplicável, explique como a perda de seguimento foi abordada. Estudo caso-controle: se aplicável, explique como foi abordada a correspondência de casos e controles. Estudo transversal: se aplicável, descreva os métodos analíticos levando em consideração a estratégia de amostragem. |
| Resultados Participantes | 13* | Relate o número de indivíduos em cada estágio do estudo – por exemplo, número de participantes potencialmente elegíveis, examinados para elegibilidade, com elegibilidade confirmada, aqueles incluídos no estudo, e com acompanhamento e análise completos; justifique as perdas e cada etapa. Considere o uso de um fluxograma. |
| Dados Descritivos | 14* | Caracterize os participantes do estudo (em aspectos demográficos, clínicos, sociais) e informe sobre suas exposições ou fatores confundidores em potencial; indique o número de participantes com perda de dados para cada variável de interesse. Estudo de coorte: indique o tempo de seguimento (média e quantidade total) |
| Dados do Desfecho | 15* | Estudo de coorte: relate o número de desfechos ou de medidas- resumo ao longo do tempo. Estudo caso-controle: relate os números de cada categoria de exposição ou medidas- resumo de exposição. Estudo transversal: relate o número de desfechos ou de medidas- resumo. |
| Resultados principais | 16 | Apresente estimativas não ajustadas e, se aplicável, medidas ajustadas para confundidores e a sua precisão (por exemplo intervalo de confiança 95%); deixe claro quais confundidores foram ajustados e as razões para esta escolha. Determine os pontos de corte quando variáveis contínuas forem categorizadas. Se relevante, considere transformar estimativas de risco relativo para risco absoluto, para um intervalo de tempo significativo. |
| Outras análises | 17 | Relate outras análises feitas – por exemplo análises de subgrupos, interações e análises de sensibilidade. |
| Discussão Resultados chave | 18 | Resuma os resultados-chave, com referência aos objetivos do estudo. |
| Limitações | 19 | Discuta as limitações do estudo, levando em consideração possíveis fontes de viés ou imprecisões; discuta a direção e a magnitude de qualquer viés em potencial. |
| Interpretação | 20 | Apresente uma interpretação geral cautelosa dos resultados considerando objetivos, limitações, multiplicidade de análises, resultados de estudos parecidos e outras evidências relevantes. |
| Generalização | 21 | Discuta a generalização (validade externa) dos resultados do estudo. |
| Outras informações Financiamento | 22 | Apresente a fonte de financiamento e o papel dos financiadores no presente estudo e, se aplicável, no estudo original no qual o estudo presente foi baseado. |
*Informar separadamente para casos e controles em estudos de caso-controle e, se aplicável , para grupos expostos e não expostos em estudos de coorte e estudos transversais [1].
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO STROBE
- Apesar de orientar o relato de estudos observacionais, as recomendações do STROBE não são válidas para planejar e conduzir tais estudos, tampouco são capazes de avaliar a sua qualidade metodológica.
- Não tem por finalidade preconizar uma estruturação rígida e estática para o relato de estudos observacionais, sendo que a ordem e o formato de apresentação e detalhamento de cada um dos itens elencados está sujeita a variações dependentes da preferência pessoal dos autores, do estilo do periódico para o qual o artigo será submetido e de aspectos inerentes à área de pesquisa em questão.
- Constitui uma recomendação de relato em constante evolução, aprimoramento e passível de modificações, de acordo com o surgimento de novas necessidades ou evidências pertinentes [1].
PONTOS FORTES DO STROBE
- Foi desenvolvido por meio de processo transparente, considerando a experiência adquirida a partir de outras iniciativas similares já consolidadas, como o CONSORT.
- É produto de extensa revisão da literatura metodológica, analisada criticamente e de modo interativo por parte de um conjunto de especialistas envolvidos no processo editorial (epidemiologistas, bioestatísticos, pesquisadores e editores de periódicos).
- Pode conferir maior clareza ao relato de aspectos como a presença de vieses, conflito de interesse e a possibilidade de generalização dos achados dos estudos, contribuindo de forma importante para a ética em pesquisa, bem como para a ponderação sobre a necessidade de eventuais estudos futuros.
- Um número considerável de periódicos científicos tem recomendado o uso do STROBE como parte das instruções para autores [2].
- Pode ser utilizado não apenas por autores (como guia na redação do manuscrito), mas também por editores e revisores de periódicos, na medida em que fornece subsídios à apreciação do artigo para publicação, bem como aos leitores, facilitando a análise da evidência apresentada [1].
LIMITAÇÕES DO STROBE
- Atualmente, a aplicação do STROBE é limitada a três desenhos de estudos observacionais (estudos de coorte, caso-controle e transversais), embora haja iniciativas para o desenvolvimento de extensões da ferramenta aplicáveis a outros desenhos de estudo, como aqueles de associação genética [3].
- A composição do grupo de profissionais que atuaram na sua criação foi influenciada pela rede de contatos de cada um dos autores, não sendo representativa de toda a população acadêmica quanto à geografia (predomínio de europeus e norte-americanos) e em relação a interesses de pesquisa e áreas do conhecimento.
AUTORES
Versão 1- 19/09/2022
Amanda Mayumi Yokoji Pereira, Daniel Maringelli Pasqui, Felipe Castro Amorim, Felipe Wong Lee, Leonardo Valois Rodovalho, Letícia Monico Alves Cyrino. Alunos de graduação da Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Rachel Riera. Professora adjunta, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Carolina de Oliveira Cruz Latorraca, Associação Paulista para o Desenvolvimento d Medicina (SPDM).
Versão 2- 27/04/2026
Rafaela Rixhon, aluna de graduação de Medicina da UNIFASE (Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto)
Daniele Ho, farmacêutica, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Rachel Riera, MD, MSc, PhD. Professora associada, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
CITAR COMO: Pereira AMY, Pasqui DM, Amorim FC, Lee FW, Rodovalho LV, Cyrino LMA, Latorraca COC, Rixhon, R, Ho D, Riera R. STROBE – checklist de relato para estudos observacionais. Estudantes para Melhores Evidências. Publicado em 27 de abril de 2026. Disponível em: [adicionar link da página da web]. Acessado em [adicionar dia, mês e ano de acesso].
REFERÊNCIAS
- von Elm E, Altman DG, Egger M, Pocock SJ, Gøtzsche PC, Vandenbroucke JP; STROBE Initiative . Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE) statement: guidelines for reporting observational studies. BMJ. 2007 Oct 20;335(7624):806-8. doi: 10.1136/bmj.39335.541782.AD. PMID: 17947786; PMCID: PMC2034723.
- Cuschieri S. The STROBE guidelines. Saudi J Anaesth. 2019;13(Suppl 1):S31-S34. doi: 10.4103/sja.SJA_543_18.
- Ioannidis JP, Gwinn M, Little J, Higgins JP, Bernstein JL, Boffetta P, et al. A road map for efficient and reliable human genome epidemiology. Nature Genetics. 2006;38(1):3–5. doi: 10.1038/ng0106-3.