27 de fevereiro de 2026 

Existem perguntas de interesse na área da saúde que, por serem complexas ou necessitarem de respostas rápidas, devem ser respondidas por sínteses de evidências com particularidades metodológicas. Para isso, existem diferentes tipos de revisões e a seleção do tipo mais adequado depende não apenas da pergunta, mas do contexto ao qual os resultados da revisão serão inseridos para auxiliar na tomada de decisão e informação em saúde. É preciso lembrar que nem todas as perguntas de pesquisa são adequadas a uma revisão sistemática. E como escolher o melhor tipo de revisão?  

Veja a seguir um sumário comparativo dos principais tipos de revisão e seus aspectos metodológicos (Quadro 1) e, para conhecer mais sobre estas e outras sínteses de evidências em saúde, indicamos o artigo de Nussbaumer-Streit e colaboradores [1]. 

REVISÃO NARRATIVA 

Também conhecida como revisão bibliográfica ou jornalística, esse tipo tradicional de revisão tem como principal característica o relato de estudos publicados previamente sobre determinado assunto, porém utiliza métodos informais e subjetivos (e, muitas vezes, não relatados) para identificar, selecionar e sintetizar os resultados dos estudos incluídos. São utilizadas como resumos de evidências e são úteis para os autores estudarem e se atualizarem sobre um assunto, levantar questionamentos e reconhecer lacunas do conhecimento, ainda que parcialmente. As revisões narrativas também podem gerar hipóteses para a elaboração de novas pesquisas de melhor qualidade metodológica [1].  

Limitações:  

  • a “liberdade” metodológica envolve a opinião pessoal dos autores, que, geralmente, são especialistas na área, e pode gerar suposições capazes de influenciar os resultados;  
  • possibilidade de vieses relacionados à busca, seleção e avaliação dos estudos incluídos; 
  • a falta de transparência no relato impede a replicação das etapas metodológicas e a aplicabilidade dos resultados. 

REVISÃO SISTEMÁTICA 

As revisões sistemáticas utilizam métodos rigorosos e reprodutíveis para mapear, avaliar criticamente e sintetizar todas as evidências disponíveis que respondam a uma determinada pergunta de interesse, com o objetivo de minimizar os possíveis vieses e produzir resultados confiáveis. São utilizadas para responder perguntas específicas e claramente formuladas, em sua maioria sobre intervenções em saúde, mas também questões sobre acurácia diagnóstica, prognóstico, entre outras. O processo de planejamento e condução de uma revisão sistemática envolve busca ampla e sensível em diferentes bases de dados e outras fontes de busca, critérios específicos para seleção dos estudos e extração dos dados, uso de ferramentas padronizadas para avaliação crítica das evidências, e métodos estatísticos para síntese dos resultados, incluindo a possibilidade de metanálises. Vale lembrar que metanálise é uma técnica para combinação estatística dos resultados dos estudos incluídos em uma revisão sistemática, produzindo uma estimativa única de efeito. Quando bem conduzidas, as revisões sistemáticas fornecem uma base confiável para a tomada de decisões em saúde, e devem ser atualizadas periodicamente [2]. 

Limitações:  

  • devido à ausência de evidências ou de qualidade dos estudos incluídos, os resultados da revisão sistemática podem ser inconclusivos; 
  • podem apresentar vieses relacionados à má condução das diferentes etapas metodológicas, por exemplo, viés de seleção, perda de estudos relevantes devido à busca inadequada etc.; 
  • uma revisão sistemática deve ser realizada por pelo menos três pesquisadores (dois revisores independentes e um terceiro para solucionar divergências), com expertise metodológica, clínica e estatística. 

REVISÃO SISTEMÁTICA RÁPIDA 

É uma síntese de evidência realizada de forma a responder perguntas de interesse diante de cenários novos, críticos ou emergenciais, como, por exemplo, a pandemia de Covid-19, fornecendo informações mais rapidamente do que as revisões sistemáticas convencionais. O tempo esperado para finalização da revisão é de alguns meses, enquanto a revisão sistemática tradicional pode levar até 2 anos para a conclusão. As revisões rápidas utilizam “atalhos” para acelerar o processo de condução, tornando-a menos rigorosa, mas sem deixar de lado a transparência de seus métodos e a avaliação crítica dos estudos incluídos. Por exemplo: ela se vale da restrição de bases de dados, costuma evitar a busca em literatura cinzenta e limita o ano de publicação dos estudos incluídos [1,2,3]. 

Limitações:  

  • a omissão de algumas etapas metodológicas pode introduzir vieses.  
  • embora seja uma revisão rápida, não deixa de ser recomendado que seja realizada por pelo menos três pesquisadores com expertise metodológica e conhecimento em estatística avançada. 

REVISÃO SISTEMÁTICA COM METANÁLISE EM REDE 

Esse tipo de revisão sistemática compara múltiplas intervenções concorrentes de forma simultânea, combinando resultados de estudos de comparações diretas (head-to-head) e indiretas, para uma mesma condição clínica, em uma rede de três ou mais estudos. Como nem sempre há comparações diretas para a intervenção que se deseja avaliar, as metanálises em rede são úteis para gerar respostas a partir de comparações indiretas, ou seja, comparações que não foram realizadas diretamente pelos ensaios clínicos, mas podem ser calculadas usando as estimativas das comparações diretas disponíveis. Por exemplo: entre os estudos que compararam diferentes medicamentos antidepressivos para o tratamento de transtorno bipolar, nenhum comparou aripiprazol versus risperidona. O que há disponível na literatura são estudos que compararam aripiprazol versus placebo e risperidona versus placebo. A partir do mesmo grupo comparador (placebo), é possível estimar o efeito do aripiprazol comparado à risperidona por meio de comparação indireta. A metanálise em rede fornece, ainda, um ranqueamento da probabilidade de efeito dos diferentes tratamentos analisados. O processo de busca, seleção e avaliação crítica dos estudos é o mesmo utilizado em uma revisão sistemática convencional [4]. 

Limitações:  

  • depende da expertise metodológica e estatística da equipe de autores. 
  • a heterogeneidade entre os estudos deve ser cuidadosamente avaliada para que se possa determinar a consistência dos resultados ao combiná-los em metanálise. 
  • Assume-se que todas as intervenções incluídas na “rede” são igualmente aplicáveis a todas as populações e contextos dos estudos incluídos. 

REVISÃO DE ESCOPO 

É utilizada para sintetizar as evidências disponíveis sobre perguntas de pesquisa amplas, emergentes e complexas. As revisões de escopo são úteis para a avaliação preliminar e conceitual da informação existente na literatura sobre determinado assunto por meio de metodologia transparente. Inclui busca ampla e sensível nas bases de dados eletrônicas e outras fontes de busca não estruturada, com o objetivo de mapear a natureza e a extensão das evidências. Inclui vários delineamentos de estudos primários e não avalia a qualidade das evidências [5]. 

Limitações:  

  • dependendo da complexidade da pergunta de interesse, pode levar mais tempo para sua conclusão; 
  • depende da expertise metodológica dos autores envolvidos. 
  • resulta em uma análise ampla sobre o assunto de interesse. 

OVERVIEW 

Trata-se de uma revisão de revisões sistemáticas. As overviews seguem métodos explícitos e sistemáticos, semelhantes aos de uma revisão sistemática, para mapear, selecionar, avaliar criticamente e fornecer um resumo de todas as revisões sistemáticas disponíveis sobre uma pergunta de interesse. São realizadas quando há muitas revisões sistemáticas disponíveis sobre o assunto de interesse. Podem levar menos tempo de desenvolvimento do que uma revisão sistemática convencional [2].  

Limitações:  

  • desafios metodológicos relacionados à heterogeneidade e síntese dos dados das revisões sistemáticas encontradas; 
  • depende da expertise metodológica e estatística dos autores envolvidos. 

Quadro 1: Principais tipos de revisões e seus aspectos metodológicos. 

Tipo de revisão Pergunta de interesse Busca Tipo de estudo incluído Seleção dos estudos e extração dos dados Avaliação metodológica dos estudos incluídos Síntese dos rsultados Tempo estimado para realização 
Revisão narrativa ampla restrita  desenhos diferentes indefinida ausente narrativa 4 a 8 semanas 
Revisão sistemática específica ampla mesmo desenho dois autores independentes, e  um terceiro para resolver divergências presente narrativa e quantitativa (metanálise) 12 a 24 meses 
Revisão sistemática com metanálise em rede específica ampla mesmo desenho dois autores independentes, e um terceiro para resolver divergências presente narrativa e quantitativa Até 24 meses 
Revisão 
sistemática rápida 
específica restrita mesmo desenho recomenda-se que tenha pelo menos 3 revisores envolvidos presente narrativa e quantitativa Até 6 meses 
Revisão de escopo ampla ampla desenhos diferentes dois autores independentes, e um terceiro para resolver divergências ausente narrativa 12 a 24 meses 
Overview de revisões 
sistemáticas 
específica ampla mesmo desenho dois autores independentes, e um terceiro para resolver divergências presente narrativa e quantitativa Até 24 meses 

AUTORES 

Versão 1- 17/08/2022 

Larissa Gomes Peres Bomfim, Vinícius Lúcio de Barros. Alunos de graduação da Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES). 

Ana Luiza Cabrera Martimbianco, MSc, PhD. Professora da Disciplina de Saúde Coletiva na Graduação de Medicina e da Disciplina de Saúde Baseada em Evidências do Programa de Pós-graduação em Saúde e Meio Ambiente da Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES). 

Versão 2- 27/02/2026 

Daniele Ho, farmacêutica, Disciplina de Medicina Baseada em Evidências, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Rachel Riera, MD, MSc, PhD. Professora associada, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Citar como: Bomfim LGP, Barros VL, Martimbianco ALC, Ho D, Riera R. Tipos de revisões. Estudantes para Melhores Evidências. Publicado em 27/02/2026. Disponível em: [adicionar link da página da web]. Acessado em [adicionar dia, mês e ano de acesso]. 

Referências:  

  1. Nussbaumer-Streit B, Booth A, Garritty C, Hamel C, Munn Z, Tricco AC, Pollock D. Overview of evidence synthesis types and modes. J Clin Epidemiol. 2025 Nov;187:111970. doi: 10.1016/j.jclinepi.2025.111970. Epub 2025 Sep 4. PMID: 40914296. 
  1. Higgins JPT, Thomas J, Chandler J, Cumpston M, Li T, Page MJ, et al, editor(s). Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions version 6.5 (updated August 2024). Cochrane, 2024. Disponível em:  www.cochrane.org/handbook. Acessado  27 de fevereiro de 2026. 
  1. King VJ, Stevens A, Nussbaumer-Streit B, Kamel C, Garritty C. Paper 2: Performing rapid reviews. Syst Rev. 2022 Jul 30;11(1):151. doi: 10.1186/s13643-022-02011-5. 
  1. Mills EJ, Ioannidis JP, Thorlund K, Schünemann HJ, Puhan MA, Guyatt GH. How to use an article reporting a multiple treatment comparison meta-analysis. JAMA. 2012 Sep 26;308(12):1246-53. doi: 10.1001/2012.jama.11228. 
  1. Peters MDJ, Marnie C, Tricco AC, Pollock D, Munn Z, Alexander L, McInerney P, Godfrey CM, Khalil H. Updated methodological guidance for the conduct of scoping reviews. JBI Evid Synth. 2020 Oct;18(10):2119-2126. doi: 10.11124/JBIES-20-00167.